terça-feira, 31 de agosto de 2010

QUANDO A VIDA É UMA PESCARIA

Pescar é algo mais do que arremessar no mar um pedaço de chumbo, com anzol e uma isca amarrada na ponta. Tentar fisgar um peixe tem muito a ver com a dinâmica da vida

Tem dia que faz sol; no outro amanhece chovendo. Um dia o mar está de ressaca, depois vira calmaria. Tem dia que a gente não pega nem baiacu, enquanto o companheiro de pescaria, ao lado, enxe o isopor com peixe "top de linha". E nem adianta trocar o anzol, mudar a isca, seguir as dicas do melhor pescador profissional. Definitivamente, naquele dia, você volta para casa de mãos vazias, mesmo que tenha feito tudo certo. Porque o mar (e os peixes) têm lá os seus caprichos.

E quando a vida decide imitar os peixes e o mar? Foi o pensamento que me ocorreu enquanto eu observava, no último final de semana, um veterano pescador, na Praia de Icaraí, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Seu Fernando, aos quase de 70 anos de idade, acabara de pegar um robusto baiacu-arara, com quase 30 centímetros de comprimento, que foi imediatamente limpo e colocado junto com outras espécies dentro da caixa de isopor.

Baiacu-arara

A diversão não é o peixe - Mas, até o peixão morder o anzol do pescador, sei lá quantos minutos tinham se passado. Sem contar o trabalho anterior parar preparar o molinete: descascar o camarão, espetar e amarrar com linha de nylon essa isca no anzol (para evitar que se solte na hora do arremesso), conferir a tensão da linha. Tudo feito com calma e muito critério, como quem estivesse "saboreando o momento". E ainda ficar observando o molinete cravado na areia, sem sucumbir à tentação de tocar no equipamento a cada 30 segundos para conferir se algum peixe tinha caído na armadilha.

- Dá para saber quando algum é fisgado pelos movimentos da vara de pesca. Não é preciso ficar rodando o molinete toda hora. A pressa aqui não adianta nada. Nem a euforia. Porque, dependendo do dia, a gente não pega um peixinho sequer, mesmo que tenha usado a melhor isca do mundo, mesmo que tenha feito tudo certo. Então, a grande recompensa não pode ser o peixe, mas a pescaria - filosofou Fernando, que pratica o hobby desde os 5 anos de idade.

"Navegar" a vida - "Será que consigo aplicar essa filosofia?" - pensei, enquanto continuava a conversar com o pescador de fim de semana. "Navegar" a vida, sem tentar ir contra a maré? Esperar o vento mudar e remar a favor? Brincar com (e como) as crianças de fazer castelos de areia e deixar a felicidade chegar até a beira da praia, naturalmente? Por que não!? Seu Fernando acaba de me mostrar que a vida pode ser vivida como uma prazeirosa pescaria.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Portadores de necessidades especiais são ativos, são eleitores, são trabalhadores

Em 2000 eram 24,6 milhões de portadores de necessidades especiais de todos os tipos, segundo o IBGE. Censo 2010 vai atualizar a radiografia dessa realidade


Quem engessou uma perna e precisou andar de muletas ou cadeira de rodas, temporariamente, sabe como é difícil locomover-se dentro de casa. Se a pessoa for portadora de uma necessidade especial definitiva, o desafio então será permanente. Nois dois casos, sair à rua significa ver essas dificuldades domésticas ampliadas no limite da dignidade. Isso porque, como em nossas residências, o espaço urbano não está satisfatoriamente preparado para receber os milhões de portadores de necessidades especiais que existem pelo Brasil afora.

Segundo dados do Censo Demográfico 2.000, do IBGE, existiam no Brasil perto de 24,6 milhões de portadores de necessidades especiais de todos os tipos (esses números deverão crescer, após a conclusão do Censo 2010). Um "megaexército" que supera a população de várias nações da Europa. No caso brasileiro especificamente, vale destacar que grande parte dessa população é econômica e politicamente ativa, o que tem obrigado o poder público e a iniciativa privada a promoverem políticas de inclusão. Informações para cobrar essa responsabilidade também não faltam.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por exemplo, disponibiliza em seu portal (http://www.abnt.org.br/) um conjunto de 16 normas sobre acessibilidade. "Acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência a edificações, espaço, mobiliário e equipamento urbanos" (NBR 9050, de 2004) é uma das mais consultadas. "Acessibilidade em caixa de auto-atendimento bancário" (NBR 15250, de 2005) e "Acessibilidade à pessoa com deficiência no transporte rodoviário" (NBR 15320, de 2006) são outras campeãs de "audiência".

No portal de utilidade pública http://www.acessibilidade.org.br// também estão disponíveis caminhos para baixar normas técnicas, manuais e cartilhas para promoção de acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência. Destaque para o manual (foto) de orientações "Turismo e Acessibilidade" (2006), iniciativa do Ministério do Turismo.

O mesmo portal abre outra porta (http://www.trabalhoespecial.com.br/), dessa vez para quem busca trabalho. Empregadores oferecem vagas para pessoas com deficiência e portadores de deficiência oferecem sua mão de obra. Empresas e profissionais também podem anunciar ofertas de produtos e serviços que promovam a acessibilidade e o desenho universal em espaços físicos ou virtuais. O serviço é inteiramente grátis. Então, mãos à obra.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sérgio Cabral e Eduardo Paes não usam o sistema público de saúde

Por que será que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, recentemente operado do joelho, não se submeteu à cirurgia em um dos hospitais da rede pública de saúde? Preferiu fazê-lo (ou foram os médicos do político que assim quiseram?) no Copa D'or.

O prefeito da cidade, Eduardo Paes, que também precisou ser socorrido de urgência não faz muito tempo, também não foi levado para um dos hospitais administrados pela Prefeitura do Rio do Janeiro.

Pelo menos em época de eleições eles poderiam, pelo menos, fingir que acreditam naquilo que eles próprios defendem na frente das câmeras de TV e microfones de rádios. Então tá!

domingo, 12 de outubro de 2008

De Bragança Paulista até Aparecida do Norte (SP), a pé e cheios de gás


A aventura não precisa ter hora marcada. Basta ter disposição, motivação e saber aproveitar as oportunidades. Como a que "caiu" sobre a mesa onde eu estava, junto com meus amigos de Bragança Paulista (SP): Nicola e Márcio Celestino, na quarta-feira 9 de outubro, 2008. Entre uma conversa e outra, alí na lanchonete "Café & Bobagem", o Nicola fez o convite: "Quer fazer uma caminhada de 30 quilômetros até Extrema (cidade mineira que faz divisa com Bragança Paulista/SP)?
Não sei se o Nicola falou brincando. Na dúvida, aceitei. Sem acreditar, confesso! Mas a coisa era séria. Na véspera, o bom amigo ligou (às 22 horas), avisando que o grupo se encontraria no bairro Lavapés às 7h00. Fui com o que tinha: um par de botas, uma calça jeans e uma camisa regata. Contraste geral com a indumentária dos outros 15 caminhantes, apropriadamente trajando tênis e roupas leves. Ainda bem que o tempo ajudou.
Uma figura da melhor qualidade se destacou no grupo, pelo espírito jovem e pela disposição. Foi o padre Viana. Com 78 anos e com a experiência de quem já percorreu os 800 quilômetros do caminho de São Tiago de Compostela, padre Viana chegou inteiro e bem humorado, depois de 9 horas e 22 minutos de marcha, à cidade de Extrema. Com gás suficiente para celebrar uma missa no saguão do hotel.
E comprovando  que idade é só um número (na maioria das vezes desfavorável) na cabeça das pessoas, padre Viana ainda pretendia prosseguir por mais 220 quilômetros (a pé), com o grupo que caminhava rumo a Aparecida do Norte. Como terminou essa odisséia só vou saber na próxima quinta-feira (23 outubro) quando essa moçada terminar a rota.